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Gastar dinheiro para ter chinchilas ou ter chinchilas para ganhar dinheiro
"GASTAR DINHEIRO PARA TER CHINCHILAS
OU TER CHINCHILAS PARA GANHAR DINHEIRO "

        Este Editorial do CHINCHILA NOTICIAS publicado pela ACHILA em Janeiro/Fevereiro de 1980 foi escrito pelo Sr. Jean George Crespin, grande criador e Presidente da nossa associação nacional na gestão 1979/1981.
        O Sr Crespin, de profissão engenheiro e na época proprietário da empresa Telemecanic em São Paulo, começou sua criação em 1975 com muitos animais importados do Sr Chapin Hand dos USA. Aproveitando sua função na empresa que dirigia, costumava viajar varias vezes por ano para Europa ( era de origem francesa) e América do norte, trazendo para todos nós criadores brasileiros as novidades sobre as técnicas de criação e contatos no mercado internacional de peles.
        A qualidade de seus animais foi sem dúvida nenhuma uma das mais cobiçadas na época pela maioria dos criadores brasileiros. Foi ganhador de inúmeros campeões nas exposições nacionais em que participou, como também um dos primeiros criadores a exportar suas peles junto aos pioneiros associados da Achila.
        Em 1981, transferiu sua criação para a cidade de Gramado-RS onde alguns anos após veio a falecer. Em 1984, sua família, não podendo dar continuidade ao empreendimento colocou a venda a criação, conseguindo vender todos os animais em um só final de semana. Criadores de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná adquiriram estes reprodutores selecionados e hoje muitos dos melhores animais do pais são provenientes de sua linhagem.
        Como presidente da Achila, confirmou junto ao Ministério da Agricultura o seu registro definitivo como entidade nacional, implantou o certificado de graduação nacional e estabeleceu as primeiras normas de participação e julgamento nas exposições nacionais equivalentes as realizadas pelo Empress Chinchilla Breeders Cooperative dos USA.
        Toda esta experiência e bagagem como empresário e criador foi publicada no Chinchila Noticias no ano de 1980 no seu último Editorial como presidente. Fazem disto quase 24 anos , e ainda hoje esclarece os criadores sobre o título acima.
        Leia com atenção e faça suas contas.

A DIRETORIA

( OBS. Os valores utilizados pelo saudoso Sr. Crespin são em cruzeiros ( moeda do Brasil em 1980). Para melhor entendimento, o texto em cor azul atualiza estes valores em dólares. Na época o valor de US$ 1,00 era equivalente a Cr$ 42,00. )


CHINCHILA NOTICIAS
Boletim periódico publicado pela
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE CHINCHILA LANÍGERA
Janeiro - Fevereiro 1980 Ano 8 n. 01

EDITORIAL

Os criadores americanos costumam utilizar um aforismo para definir as duas alternativas entre as quais um criador pode escolher:

GASTAR DINHEIRO PARA TER CHINCHILAS ou TER CHINCHILAS PARA GANHAR DINHEIRO

        De fato, não existe meio termo entre essas duas opções mas devemos considerar somente a segunda pois é bem evidente que todos nós iniciamos a criação desses animais para realizar lucros.
        Existem três condições imperativas para que uma criação de chinchilas seja lucrativa:
1 - o plantel deve ser constituído de reprodutores de boa qualidade;
2 - o criador deve ter muita experiência sendo a mesma geralmente adquirida nos primeiros anos de criação;
3 - a criação deve ter uma boa gestão.
        Por definição, ter uma boa gestão consiste em dirigir um negócio de tal maneira que o resultado, isto é a diferencia entre as receitas e as despesas seja suficiente para remunerar satisfatoriamente o capital empatado e, quando for o caso, retribuir vantajosamente a atividade pessoal exercida. No caso da criação de chinchilas haverá sempre uma parte de trabalho pessoal e deverá ser prevista retribuição do tempo passado para cuidar senão dos animais pelo menos da seleção dos reprodutores e das constituição das famílias.
        O objetivo principal da criação de chinchilas é a produção de peles. O indicador da boa ou má gestão será a diferencia existente entre o preço da venda da pele produzida e o seu preço de custo. Se essa diferencia for pequena, por exemplo da ordem de uma ou duas centenas de cruzeiros ( mais ou menos US$ 4,00 ), insuficiente para remunerar o capital empatado, o criador deverá procurar as causas dessa insuficiência e corrigi-las por medidas adequadas. Se a diferencia for substancial, por exemplo, quinhentos cruzeiros ( US$ 12 ) ou mais, ela indicará que a gestão é boa e o criador terá somente que se esforçar para aumentá-la.
        Aparece então a necessidade de determinar o preço de custo e para isso há vários métodos, alguns simples e outros complicados. A nosso ver, e como há um só produto produzido, o melhor e mais simples método consiste em se somar todas as despesas do ano, tais como alimentação, remédios, produtos de limpeza, areia para banho, manutenção das instalações, energia elétrica, mão de obra, gastos de expedição, curtimento e comercialização das peles, etc.. e em dividir a soma assim obtida pela quantidade de filhotes nascidos no ano e vivos no fim do ano, reduzindo essa quantidade do número de filhotes separados e reservados para substituir as perdas de reprodutores ou aumentar a criação. É uma contabilidade simples ao alcance de qualquer um e que não necessita cálculos complicados.
        Consideremos, por exemplo, uma criação constituída de 40 fêmeas e 8 machos. Essas fêmeas poderão produzir em média 20 a 120 filhotes dependendo essa produção de muitos fatores como:
  • Prolificidade dos animais;
  • Qualidade e quantidade de alimentação;
  • Modo de tratar os animais;
  • Instalações e gaiolas;
  • Estado de saúde dos animais.
                Os valores acima mencionados correspondem a uma médias variável de 0,5 a 3 filhotes por fêmea por ano, podendo ser inferior ou superior em casos extremos. Essa média é chamada " TAXA DE PRODUÇÃO ". As despesas totais da criação variarão com a " taxa de produção " pois, no cálculo das despesas entra a alimentação não só dos reprodutores como também dos filhotes. Menor a quantidade de filhotes, menor a despesa total; maior o número de filhotes, maior a despesa total.
        Para melhor compreensão desse método pragmático de avaliação dos resultados, apresentamos a seguir as várias hipóteses relacionadas com a mesma quantidade de reprodutores ou seja 40 fêmeas e 8 machos mas com taxas de produção diferentes.
1o- hipótese: - Taxa de produção = 1

· Preço médio de venda das peles Cr$ 600 ( US$ 14.00 )
· Total das despesas: Cr$ 25.000,00 ( US$ 600.00 )
· Separação e reserva de 20% de jovens para reposição de reprodutores ou acréscimo de criação.

        O preço de custo de cada pele será : total das despesas dividido pela quantidade de filhotes nascidos durante o ano e vivos no fim do ano, subtraindo dessa quantidade o número de jovens selecionados e reservados, em nossa hipótese 20%, escrevendo-se então:

Custo da pele: Cr$ 25.000 ( US$ 600 ) = Cr$ 25.000 ( US$ 600 ) = Cr$ 25.000 ( US$ 600 )= Cr$ 782 (US$ 18,75)
                          40 x 1 - 20%                            40 x 0,8                              32

O resultado é negativo: US$ 14,00 - US$ 18,75 = - US$ 3,75 Com esta taxa de produção e esse preço de pele aparece uma perda de US$ 3,75 por pele e o criador gastou dinheiro para ter chinchilas

2o- hipótese: Taxa de produção = 1,5

· Preço médio de venda das peles US$ 14.00
· Total das despesas: Cr$ 28.000 (US$ 667,00 )
· Separação e reserva de 20% de jovens para reposição de reprodutores ou acréscimo de criação.

Custo da pele: Cr$ 28.000 ( US$667 ) = Cr$ 28.000 ( US$667 ) = Cr$ 28.000 ( US$667 ) = Cr$ 584 (US$ 13,90 )
                          40 x 1,5 - 20%                    60 x 0,8                                  48

Resultado positivo: US$ 14,00 - US$ 13,90 = US$ 0,10 de lucro por pele, evidentemente muito pouco, mas, pelo menos, as despesas são cobertas e o criador não tem mais de gastar dinheiro para ter chinchilas

3o- hipótese: Taxa de produção = 2,5

· Preço médio de venda das peles US$ 14,00
· Total das despesas: Cr$ 35.000 ( US$ 834,00 )
· Separação e reserva de 20% de jovens.

Custo da pele: Cr$ 35.000 ( US$ 834 ) =Cr$ 35.000 (US$ 834 ) =Cr$ 35.000 (US$ 834 ) = Cr$ 437 ( US$ 10,40 )
                       40 x 2,5 - 20%                         100 x 0,8                              80

Resultado positivo: US$ 14,00 - US$ 10,40 = US$ 3,60 de lucro por pele, ainda reduzido mas, desta vez o criador começa a ter chinchilas para ganhar dinheiro.

         Verifica-se, assim, que a rentabilidade de uma criação está diretamente relacionada com a produção, isto é, da prolificidade do plantel.
         Por outro lado, se a qualidade das peles for melhor e atingir, por exemplo, US$ 30,00 cada uma em média, teremos no caso das hipóteses acima analisadas os seguintes resultados de rentabilidade:

1o- hipótese : Resultado agora positivo, pois:
US$ 30,00 - US$ 18,75 = US$ 11,25
Taxa de lucro por pele: 60 %

2o- hipótese : Resultado maior , pois:
US$ 30,00 - US$ 13,90 = US$ 16,10
Taxa de lucro por pele: 120%

3o- hipótese : Resultado ainda maior, pois
US$ 30,00 - US$ 10,40 = US$ 19,60
Taxa de lucro por pele: 190%

         Podemos então estabelecer a regra seguinte que deve ser a constante do criador que deseja obter lucros reais com sua criação e ter chinchilas para ganhar dinheiro:

"A RENTABILIDADE DE UMA CRIAÇÃO ESTÁ EM FUNÇÃO DIRETA DA TAXA DE PRODUÇÃO E DA QUALIDADE DOS PRODUTOS. "

         A boa gestão de uma criatorio consiste, nessas condições em : CRIAR ANIMAIS DA MELHOR QUALIDADE POSSÍVEL, NA MAIOR QUANTIDADE POSSÍVEL COM O MENOR CUSTO POSSIVEL.
        Para se obter esses resultados: boa qualidade, grande produção, custo mínimo, o criador deverá observar as seguintes regras:
· BOA INSTALAÇÃO MATERIAL
        Local com luz natural, de preferencia com raios do sol entrando no criatório de manhã cedo.
         Local muito bem ventilado. Renovação continua do ar com um coeficiente de renovação pelo menos igual a 8, isto é, o ar deve ser renovado a cada 7 minutos e meio. Gaiolas específicas e espaçosas com o mínimo possível de utensílios dentro.
         Umidade compreendida entre 50 a 70%.
         Temperatura inferior a 24 o C.
· BOA ALIMENTAÇÃO
        Ração granulada de ótima procedência, conferindo sempre a data de fabricação e validade, contendo na sua composição balanceada:
                Proteínas: mínimo 15%, máximo 18%
                Gordura: 3 a 4%
                Fibras: 8 a 12%
                Alfafa de boa qualidade e água filtrada à vontade.
· SELEÇÃO RIGOROSA
        Eliminação dos reprodutores que apresentem defeitos zootécnicos ou fenotípicos. Escolha de machos para reprodução que tenham pelo menos uma nota 1 ( A' ) e nenhuma nota inferior a 2 ( A ) de acordo com o sistema de graduação adotado tanto seja o americano (A', A, B e C ) ou pelo da ACHILA ( 1, 2, 3 e 4).
        Escolha fêmeas para reprodução que tenham pelo menos nota 2 ( A ) em tamanho, conformação, densidade, tonalidade, pureza de cor e comprimento do pelo e nenhuma nota inferior a 3 ( B ) nas outras características.
        Criação de um núcleo de melhoramento no qual serão colocados em reprodução somente animais de qualidade nitidamente superior ao restante do plantel.
        Aquisição de machos de qualidade excepcional com origem reconhecido pela ACHILA para formação do núcleo de melhoramento.
· MUITO CUIDADO AO EXTRAIR AS PELES
         Isso é necessário para que, de um animal de boa qualidade não seja tirada uma pele de má qualidade, o que pode acontecer se:
        a pele perde pêlo durante a operação;
        a pele é rasgada;
        a pele não é bem posta em forma;
        a gordura não é bem extirpada do couro;
        a pele depois de seca não é bem conservada até o seu envio ao curtume;
         a pele está fora do ponto de maturação.

A DIRETORIA DA ACHILA