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O Futuro da Industria
 
A INDUSTRIA DA CHINCHILA

      A industria de peles de chinchila é constituída por certo número de atividades que envolvem a sua criação, indústria e comercio. Todas essas atividades são motivadas por um único objetivo: A PELE. Numa ordem lógica, essas atividades são as seguintes:
1- criação e produção do animal;
2- produção de peles;
3- industrialização de peles;
4- comercialização de peles;
5- industrialização de vestuário e;
6- comercialização de vestuário.
      Dependendo do grau de desenvolvimento da industria em todo o seu conjunto, existe uma outra atividade que pode ser principal ou complementar: é a comercialização de animais vivos para pet. Se for a principal, a venda de peles a bons preços será prejudicada pela falta de interesse deste criador em produzir animais de padrão superior já que neste ramo os interessados em bichos de estimação não estão preocupados com a qualidade da pele do animal. Se for complementar, alguns poucos dos animais produzidos terão a qualidade suficiente para interferir no mercado internacional de peles.       Se, como dissemos, a seqüência de todas essas atividades deve terminar na produção de peles, o objetivo final é a industria de vestuário e o sonho de todo esse complexo de atividades é o de vestir todas as mulheres do mundo com casacos de chinchila ou com vestidos ornamentados com peles desses maravilhosos animais. Parece um sonho absurdo mas não é se soubermos que, anualmente, são consumidas 20.000.000 de peles de "vison" na confecção de casacos ou na ornamentação de vestidos de alto padrão. O mercado mundial de todos os tipos de peles gira em torno de um valor de US$ 1.600.000.000,00 ( um bilhão e seiscentos milhões de dólares).
      Sabe Você qual é a produção mundial de peles de chinchilas atualmente ?. É de apenas 250.000 peles anuais ou equivalente US$ 8.450.000,00 ( oito milhões e quatrocentos e cinqüenta mil dólares ). O Brasil produz apenas 50.000. Os cálculos da procura mundial para o ano de 2006 estão estimados em 1.400.000 peles e esta demanda vem aumentando a razão de 6% ao ano. Se lembrarmos que no fim do século XIX a pele de chinchila selvagem superava o "visón" em quantidade, podemos prever sem nenhuma sombra de dúvidas, que pelas estatísticas acima, a produção de peles de chinchila demorará aproximadamente 20 anos para atingir a demanda prevista de peles. Devemos considerar também que, na medida que a pele de chinchila se faz mais conhecida e popular nas passarelas de modas em mais lugares do mundo, a procura aumentará em porcentagem bem maiores aos 6% atuais.
      Os mercados de luxo emergentes como China, Coréia, Japão e alguns países ex-socialistas garantem com seu grande interesse por luxo o aumento da procura, sem contar que outras sociedades que na atualidade estão em crescimento farão com que a procura aumente sensivelmente no próximos anos..
      Nas décadas de 50 e 60 os Estados Unidos com seu glamour holiwodiano, na de 70 foram os países árabes com seus petro-dólares, na de 80 novamente USA, Canadá e alguns países europeus com suas economias fortes, nos anos 90 Japão e os países ex-socialistas e no inicio deste século os asiáticos.
      O crescimento da demanda implica que a pele de chinchila seja:
1- de boa qualidade;
2- seja atraente e responda ao gosto dos estilistas e ao desejo da clientela;
3- seja produzida em quantidade suficiente para atender à procura;
4- seja vendida a um preço tal que incentive ao aumento dos planteis mas que seja acessível a um maior número de clientes, condições essas que podem ser resumidas em quatro palavras:
QUALIDADE
ATRAÇÃO
QUANTIDADE
PREÇO
      A pele da chinchila desapareceu do mercado durante mais de médio século em conseqüência da extinção da espécie selvagem. Quando as primeiras peles de animais criados em cativeiro surgiram no mercado e foram postas a venda, elas não despertaram o interesse do peleteiros e nem da sua clientela. Eram feias demais e de qualidade insuficiente. A reclamação dos peleteiros baseava-se no fato de que aquelas peles eram mal curtidas, não resistiam a um esforço nas costuras e rasgavam-se com facilidade. Com o advir do tempo, foram sendo resolvidos os problemas do curtimento e restou a questão da qualidade, fator mais importante para a obtenção de bons preços.
      Sabemos hoje que a qualidade do animal depende exclusivamente do criador que deve:
            a) Iniciar a criação com animais bem selecionados e de boa qualidade ou,
            b) Se já iniciou com animais de má qualidade selecionar e melhorar a qualidade dos reprodutores.
      É claro que se começou com maus animais e vai selecionar, não obterá lucros imediatos, uma vez que os preços obtidos com as suas peles, na melhor das hipóteses, deverão apenas cobrir as despesas de manutenção.
      Então, o negócio é ter animais de BOA QUALIDADE. O que é uma chinchila de boa qualidade ?. O criador antigo ou aquele que já vendeu peles para o mercado internacional sabe que de boa qualidade é o animal cuja pele alcança os melhores preços. Só o bom preço permite assegurar uma boa rentabilidade à criação de animais de pele.
      Já o principiante não conhece as características de um animal de boa qualidade. E, na maioria dos casos, ele foi muito mal informado pelos vendedores ou criadores inescrupulosos. Assim ele passa a acreditar que basta comprar chinchilas de uma certa cor ou mutação, criar, abater, mandar as peles para Nova York e aguardar a chegada do cheque correspondente aos preços mirabolantes apregoados pelo cidadão que le vendeu os animais.
      É aí que quem acreditou nos 100 dólares prometidos cai do cavalo.....
Por essa razão, é necessário antes de tudo, ou antes que o mal cresça, definir as características da qualidade de um bom animal de maneira precisa, clara e simples, para que qualquer um novo criador aprenda e entenda antes de iniciar a sua criação.
      É o que a ACHILA - vem fazendo a muitos anos em conjunto com suas associações estaduais filiadas e os núcleos de criadores por elas reconhecidos através da realização de exposições, cursos, palestras, publicações, boletins, reuniões de criadores e vendas públicas de peles.
      Se conseguirmos fazer com que um maior número de principiantes ou novos criadores interessados na criação de chinchilas ganhe esses conhecimentos antes de comprar os primeiros animais, teremos assegurado um próspero futuro da industria nacional de chinchilas.

Carlos Luis Perez
Presidente